Um ambiente pitoresco, o chão empedrado, um labirinto de ruas estreitas, a cantaria das portas e janelas das casas caiadas e enfaixadas em cor, as torres centenárias – e bem preservadas! – do castelo, o aroma das laranjeiras que invade o ar… Os telhados em telha canudo com cumeeiras e rincões a compor uma tela digna de contos infantis, a muralha maternal que abraça a vila, os vasos de sardinheira – que é bonita, mas não cheira -, os candeeiros de ferro que iluminam a noite…

E novamente espaço para respirar, porque Óbidos é tanto e tudo!
As buganvílias rosa a dar uma dimensão colorida ao espaço, as escadinhas íngremes e o portão barroco da vila, em arcos de pedra, a oferecer uma entrada de azulejos do século XVIII com cenas da Paixão de Cristo a abrir o apetite para o prato que se segue.

Do alto da muralha, a vista é soberba, assim haja pernas e se esqueçam as vertigens. Dali, é possível avistar a imensidão do vale até ao mar e adivinhar o mundo no horizonte – Óbidos será sempre uma inspiração! Mas calcorrear as muralhas faz merecer um banquete. Intenso em sabor, mas leve e refrescante para garantir energia para o tanto que há ainda para descobrir.


Na principal rua da cidade, a rua Direita, as pedras da calçada conduzem a uma biblioteca conserveira, porque Óbidos não para de surpreender. Por entre a representação de obras literárias conserveiras, e já com um apetite erudito a querer virar a página, se vão idealizando combinações gastronómicas. É a loja da Comur, um espaço inesperado com detalhes para saborear com tempo. Centenas de livros enfileiram-se na estante ornamentada de rendilhados de ferro, a verde e dourado, e apresentam a esplendorosa Conserveira de Portugal. Integrando a rede de Cidades Criativas da Literatura da Unesco e com livrarias em locais tão inusitados como igrejas, adegas ou mercados, poucos locais haveria onde o conceito Biblioteca das lojas Comur se integrasse tão bem como em Óbidos!

E de repente, os olhos fixam-se numa lata de conservas de cavala em azeite e começam a construir mentalmente uma salada refrescante de saborosos filetes de cavala, endívias levemente amargas e crocantes, maçã vermelha fatiada em lamelas finas com casca e borrifada com sumo de limão, nozes e ovos de codorniz. Uma composição regada com um molho fresco de creme fraîche, mostarda Dijon e óleo de noz. E um bom vinho branco, obviamente. Uma esplanada sombreada pelas buganvílias rosa, uma mesa que teima em estar manca, porque o chão empedrado assim o dita e um sorriso abre-se, perante o cenário; está montado o banquete para uma realidade, afinal, tão contemporânea.

E da Biblioteca Conserveira se regressa às ruas, porque o sino dá as horas a chamar para uma visita mais demorada ao castelo. Falta só o digestivo. Uma ginjinha em cada esquina, a fazer o meio dia da tarde, que já vai longa, porque Óbidos nos transporta para um imaginário medieval onde o tempo parou.

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