Nas últimas publicações demos-lhe a conhecer o peixe e as suas características distintivas, além da relação do consumo de pescado com as principais causas de morte em Portugal.

Contudo, nos inquéritos de saúde, os Portugueses continuam a considerar “ser difícil” introduzir peixe na alimentação diária da família.

Apesar do consumo de peixe em Portugal ser mais do dobro do consumo médio da União Europeia, segundo a balança alimentar portuguesa 2012-2016 o consumo de pescado parece ter diminuído ligeiramente nos últimos anos (figura 1):

Por outro lado, o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (2015-2016) revela que o pescado é o grupo alimentar que menos contribui para a ingestão calórica diária (apenas 2,9%), sendo que em média são consumidas cerca de 36g/dia. Significa que o consumo acontece entre 2 a 3 vezes por semana e não diariamente como é recomendável. Mas porquê?

Os poucos estudos realizados em Portugal sobre o consumo de peixe indicam como principal barreira o preço, seguido do gosto pessoal e da monotonia do modo de confeção (cozido/grelhado). Assim, as conservas de peixe, pela sua praticidade, valor e variedade afiguram-se como uma excelente alternativa ao peixe fresco ou congelado!

Já se questionou se é saudável comer peixe em conserva? Indubitavelmente, Sim!

É facto que os alimentos são conservados muito frescos, o que garante a preservação das suas qualidades nutricionais. Os vegetais congelados são apenas um exemplo, para além das conservas de peixe. Nestas em especial, o peixe é cozinhado e esterilizado ainda fresco e acondicionado em invólucros igualmente esterilizados e fechados de modo duradouro e perfeitamente hermético (validade 5 anos).

O processo da conserva não modifica em nada a natureza das proteínas, dos lípidos e glúcidos dos alimentos. As proteínas do peixe mantêm todo o seu valor biológico intacto, sendo hidrolisadas, o que facilita a sua digestão. Não obstante, a rapidez do tratamento térmico da conserva e a técnica de esterilização asseguram a manutenção das vitaminas originais: estima-se que após o processo de esterilização 70% das vitaminas são preservadas, o que é verdadeiramente excecional, considerando que apenas 10% das vitaminas são retidas na confeção e armazenamento caseiro. Um dos motivos que contribui para isso é o alumínio da lata que protege o peixe da luz, conservando os componentes fotossensíveis, como é o caso das vitaminas A e as do complexo B. Também a vitamina D permanece estável. Por fim, é de destacar que este processo também não altera as ómega-3, gorduras insaturadas “amigas do coração” e da saúde.

E que cuidados se deve ter para garantir que é um consumo diário saudável? Devemos optar por pescado ao natural (água e sal), escorrendo o líquido e passando por água, temperando a gosto com azeite, limão, vinagre de frutos, ervas, etc. Também a conserva em azeite virgem extra constitui uma excelente escolha nutricional!

Já sabe: Peixe é vida, por isso tente consumi-lo pelo menos 3 vezes por semana. Se tem pouca imaginação para cozinhar ou precisa de opções prontas a consumir, as conservas de peixe afiguram-se como solução: Práticas, versáteis e saborosas. Que conservas tem na sua despensa? Já conhece a “Sardinha assada com pimentos”, “o Robalo ou linguado em azeite” e as “Ovas fumadas com vegetais”? Surpreenda-se!

Nutricionista Catarina Cachão Bragadeste, n.º 0402N
Blogue Diário de uma Dietista®

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