Quando, há mais de 20 anos, João Monge escreveu o Postal dos Correios que Rui Veloso musicou e os Rio Grande cantaram, trouxe para a canção um vocabulário pouco usual, distribuindo pelas palavras o dom de atacar o coração. Em cada verso, por mais que recorresse a composições e palavras diferentes, escrevia, na verdade, saudade.

«Querida mãe, querido pai. Então que tal?» era a tímida introdução de quem sente falta de um abraço, mas não o quer revelar ou não sabe como o expressar. Para quem está longe, a lembrança do aconchego de casa, do colo da mãe e da mão segura e firme do pai, faz andar a vida «do jeito que Deus quer». Por isso, no postal dos correios, puxa-se o assunto para coisas triviais, «coisas bem melhores» para que a lágrima se aguente sem cair e a canção possa prosseguir.

A amargura de quem parte – e de quem fica – é coisa séria. A alegria de quem veio, parte na tristeza de quem vai. Mas os quilómetros que se vão somando não levam o apego nem nos distanciam do sítio a que pertencemos. Não deixam para trás o cheiro, os sabores, as raízes e o coração. Lá longe, se o tempo e o espaço não fossem indicadores de fronteira, de distância física e temporal, saberíamos se a ribeira vai ou não secar ou se as oliveiras de candeio continuam de pé. Se estivéssemos lá, a ribeira e as oliveiras não estariam sequer sujeitas a memórias que se convertem, até elas, em nostalgia. Outras trivialidades deambulam pelo postal, a arrastar a saudade que se comove sempre em português: A Laurinda faz vestidos por medida e o rapaz estuda nos computadores, esse que é um emprego com saída.

A encomenda chegou direitinha, felizmente, pelo expresso que parou na Piedade. Era pão de trigo e linguiça para a merenda – que é maravilhoso, mas podia igualmente ser uma deliciosa conserva de bacalhau assado em azeite com alho, da Comur – tão português! – se João Monge tivesse encontrado a rima perfeita na ocasião. Como verdadeiros postais ilustrados, a coleção «Cidades de Portugal», com latas do fiel amigo dos Portugueses, assado na brasa como se quer, regado de azeite e alho laminado, homenageiam as cidades ou regiões onde a Comur abre portas ao mundo: Aveiro, Évora, Madeira, Braga, Sintra, Cascais, Açores, Coimbra, Algarve, Porto, Lisboa e Óbidos. Neste diferente postal dos correios, leva-se Portugal em conserva, cheio de alma portuguesa e sabor a mar, para ajudar a enganar a saudade.

No postal dos correios, e antes da chegada de Natal, os cumprimentos ao nosso pessoal e o abraço de quem tanto nos quer seguem carregados de saudade, dos nossos e da nossa cidade ou região, uma combinação que as conservas da Comur sempre ajudam a suavizar.

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