Dos acontecimentos que a história criou e que livros, as ilustrações, os lugares e as memórias eternizam, das raízes da nossa terra e da autenticidade das nossas origens, a experiência e a idade carregam uma maturidade que nos ensina a valorizar o tempo e a viver nele mais anos do que o nosso corpo carrega.

Essa dádiva que a vida concede, a intuição e o sentido de oportunidade para o qual a história sempre nos empurra, podem trazer-nos a lugares muito especiais. A loja do Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, no Rossio, em Lisboa, é um desses lugares. É a materialização de um projeto de uma nova estratégia para a Comur – Fábrica de Conservas da Murtosa, que nos permite, hoje, chamar à atenção para uma história de coragem e superação para reerguer uma fábrica em que muitos já não acreditavam, num município que tanto dela dependia. De uma época próspera nas décadas de 40 a 60, foi depois deixando-se arrastar lentamente num percurso que, se nada fosse feito, fazia antever o mesmo destino de centenas de outras fábricas da indústria conserveira em Portugal: o fim.

A diferenciação era o único caminho possível. Preservar os recursos naturais, garantir a continuidade do setor e do emprego e manter o recurso aos métodos ancestrais, eram uma determinação convicta. Apostar na origem e na autenticidade era a chave e estes elementos diferenciadores que já existiam estavam só à espera de ter palco e holofotes para brilhar. Converter em experiências memoráveis verdadeiro património português tantas vezes relegado para segundo plano, como o são as sardinhas, dignificadas e homenageadas num espaço cuidado, pleno de história e magia, seria a única forma de elevar este património ao patamar onde sempre deveria ter estado. Sem segredos. Apenas convicção, luz, cor e muita paixão por uma história que já merecia ser contada.


E assim, embalada pelo rio Tejo e com uma luz singular que cativa e encanta, a Lisboa de alma de fado e voz de poeta, a cidade que cheira a sardinha nos santos populares, a capital do país, da calçada portuguesa e das sete colinas, acolheu, no seu centro histórico em novembro de 2016, a loja do Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, a oferecer uma experiência multissensorial do que é a magia das conservas Portuguesas, agora orgulhosamente levadas aos quatro cantos do mundo. Antes dela, e pelo respeito que se impunha pela história, o devido tributo (e voltamos à origem) à Comur: as enguias em molho de escabeche, afinal como tudo começou com aquele grupo de mulheres que se juntaram e fundaram a Comur, apesentadas ao mundo numa icónica loja na Rua da Prata, também em Lisboa.

O tempo acabaria por confirmar a crença de que a origem possui de facto uma magia inigualável, não reproduzível por nenhum processo automático, e é a verdadeira geradora de valor. Hoje, o Rossio é uma das 22 lojas da marca, cada uma cuidadosamente preparada para dignificar a sua origem, e adaptada à cidade ou região onde está implantada, com o cuidado de respeitar e homenagear também as raízes locais. E às enguias e às sardinhas rapidamente se juntaram outros peixes do oceano, numa quase trintena que vale a pena descobrir.
Tirar a história dos livros, das ilustrações, dos lugares e das memórias, e imortalizá-la depois noutros contextos que enaltecem a origem, é dar-lhe a dignidade merecida. É essa a génese do verdadeiro valor do tempo que a história tão bem nos ensina.

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